terça-feira, 19 de março de 2013

Fluxo


O rio esta me empurrando
Aonde eu não pretendia estar.
Tudo que exite corrobora
a ineficiência da tentativa.

Fluindo rio a abaixo 
Preso a matilha calada
que segue pela vida
de cabeça baixa,
vou caminhando.
Não quero esta coleira,
Prefiro minhas asas.
Por favor, me dem uma caneta
e um papel para desenhar
o fruto do qual não desfruto.
Tenho medo de não ser
Por favor,me deem um minuto.
Por favor mundo!
Eu preciso descer.

O rio esta mais alto, e me empurrando
Aonde eu nunca pensei chegar
Não estou mais voando.
Como eu queria estar.

Sonhando vida a frente
Não pretendo envelhecer
Sobrevivendo ao invés de viver.


Thiago Grijó Silva

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Paisagem


  Todas as noites um homem caminhava até o topo de uma longínqua montanha. De seu cume era possível vislumbrar toda a densa floresta que havia abaixo bem como as extensas planícies que pareciam desaparecer no horizonte, banhadas por incontáveis estrelas do céu noturno. Deparar-se com tal vista enchia o homem de esperanças. Talvez o vento tocando seu rosto, o éden personificado a sua frente ou quem sabe o simples respirar do doce ar daquela paisagem enquanto a lua pelo céu caminhava, fosse o que lhe inspirasse a voltar. Fosse o que fosse, todas as noites o homem caminhava até o topo daquela longínqua montanha. E olhava. Comunicava-se com a paisagem. E dela obtinha um suporte, uma ajuda e respostas. Silenciosas respostas. Que só os dois entendiam. Era um momento que com outrem não poderia partilhar. Pertencia aquele homem. Pertencia a paisagem.

  Os anos passavam e os dois enamorados criaram um vinculo impossível de se romper. De se esquecer. Mas o mundo lá embaixo reclamava a presença do homem que ao amanhecer abandona sua paixão desmedida e regressa certo, a segurança de uma vida vazia. Desprovida de sonhos e fria. Mas de certo seu coração não regressa. E todas as noites aquele homem caminhava até o topo daquela longínqua montanha. E com seu coração, olhava. 

  Os anos passaram. Já não subia todas as noites. Uma semana. Um mês e cada vez mais o tempo se esticando. Até se tornar inexistente. Hoje aquele homem não sobe mais a montanha. Não vislumbra mais a densa floresta, nem as extensas planícies que desaparecem no horizonte sob um céu onde as estrelas morreram pela ausência de alguém que as contempla-se. Alguém que agora segue seguro sua trilha solitária pelo sombrio caminho do mundo.


Thiago Grijó Silva

segunda-feira, 4 de março de 2013

Guinada

Eu só sei que estou doente
Pensei que tinha me achado
Mas a duvida apenas me levou
por caminhos desconhecidos.

Pensei que era certo
e acreditei que viria
Mesmo que eu não me movesse,
Inda que eu não esperasse.

Sonhei com ares menos hostis
dos que encontro agora.
E me envenenam.

Adoeci por descuido
Pobre iludido do mundo
Pensou que seria feliz.


Thiago Grijó Silva

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dia Cinza


Dia cinza e com o tempo fechado
demora até percebermos
que o mundo esta de cabeça pra baixo
mas não me faço cair.

Sustenta meu peso, o medo
Que me manifesta suave como a nevoa
com um toque de tristeza,
chuva miúda em meu ser.

Do corpo, ao pó voltarei.
Espero, Deus, que demore
Pois não tenho presa.

Quero esperar aqui sentado
respirando o cinza desse ar
gelado, que me pesa.

Thiago Grijó Silva


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tolice

Eu costumava ter pena
Sentia remorso, ódio
Mas nunca me abatia
Ainda que morresse.

E me acostumei a doer
Não dor pequena, caricata
mas no seu exagero
me personificava.

Cada passo pesava
Caídos os ombros,
meus braços, não levantava

Sem agarrar meu futuro
pensei em parar.
Mas deixei isso pra lá. 


Thiago Grijó Silva

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sexta Pagina

Hoje não tenho inspiração nem canções
que eu queria cantar.
Meus poemas, meus versos,
hoje nada me dizem
estão mudos
perplexos pela tua ausência abrupta.

Nunca imaginei doer assim.
Eu que sempre fui tão forte
eu que nunca chorei diante da morte
fui levado ao chão.
Num golpe covarde e sorrateiro
Perdi anos de um rosto maltratado pelo tempo
Anos de amor, carinho
e a minha mente se reserva apenas
as vezes em que fui tão rude
as brigas, os gritos.

Essa noite eu senti apertar meu coração
até o ponto em que não se contivesse
mais as lagrimas. Que se foram. Para nunca mais...

Em mim eu gritei contra a estrada
mas voltar é impossível. Deus disse.
o que um boneco pode fazer?
continuar brincando, até tirarem sua pilha
ou não quiserem mais você.
São só blasfêmias, de uma alma atormentada
pela ideia da morte, ser consistente.

Dois segundos no tempo, um mês ou mais,
talvez apenas um dia, seria o bastante
para eu levar um pouco mais de você
pela estrada que agora perdeu suas margaridas
e já não tem mais o mesmo sabor.
Como um prato de comida, bonito, apetitoso,
a vida se apresenta imortal e saborosa.
E conforme você come, e o prato terminando
Todo o bonito vai morrendo, e o tempo acabando.
Mas o novo sempre te espera,
esse é o consolo dos vivos,
esperar que o novo recupere
tudo aquilo que foi perdido.

Mas um dia você volta, e leva o novo embora.
E outro vem. E crescemos.
Por isso hoje não tenho raiva, ou magoas.
Apenas continuarei a caminhar.
inda que me falte uma estrela,
sei que o céu continuara a brilhar.
E é claro, vou sentir saudades.
Um beijo. E até mais tarde.


Thiago Grijó Silva

Até mais Vó...


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Inenarrável


Eu não sei descrever aquele momento
Com palavras ou versos, tudo parece
tão pequeno, e nada corresponde a grandeza
dos sentimentos que corriam por minha
alma naquele belo momento.

Eu não sei cantar como me sinto
Com prosas ou gestos, nada parece
Ter força para explicar o que eu vi
Quando em poucos segundos seu
olhar voltou-se a mim.

Você me tocou naquele instante
Sem toques ou beijos, tudo parece
Fazer sentido, e nada estraga a beleza
da poesia que corria, inenarrável, através
dos teus olhos a mim.


Thiago Grijó Silva