segunda-feira, 9 de abril de 2018

Cíclico

Hoje, pior dos dias
É eterno e imutável.
Páginas soltas
De poesias apagadas.

Sempre, ao longe
Sonhos adormecem
Num pomar de lamúrias
Por uma saudade.

Hoje, os piores anos
Sempre a espreita
Do sublime.

Sempre, o mais difícil
Hoje decorre
E se repete.

Thiago Grijó Silva
09/04/2018

domingo, 8 de abril de 2018

Oração

Senhor,
Eu me sinto afastado
De Teus cuidados
E carente de Teus olhos

Me sinto caido.
E em cada pedaço
Um reflexo da vida,
Que segui?

Ó Senhor,
Me sinto mais fraco
Como nunca antes
Havia me sentindo

Destruido, e em farrapos
Estou entregue as moscas
Que bailam na pútrida lembrança
De um conto infantil.

Senhor,
Me escuta.
Antes Tua misericórdia
A essa ode de horror.

Totalmente entregue.
Preciso de caminhos
Pois fecharam por fora
As janelas e portas.

Senhor,
Estou perdido.
Me encontra
E me sopra no espírito

Tudo que estiver além
De onde minhas dores
Me permitam enxergar

Ó céus, Senhor,
Leva-me um manto branco
Para cobrir-me
Do frio sonho dos tolos.

E levanta-me na direção,
Muito além, de onde
Eu jamais imaginaria chegar.

Ó Deus
Eu me sinto esquecido
Do Senhor, do mundo
Dos amigos de tudo.

E os quadros queimando
Nas paredes do quarto
Lançam sombras a mente
E cinzas ao chão.

E é nesse grito
Senhor,
Que eu choro.
E te canto.

De - me um sorriso.
Mata esse pranto.

Thiago Grijó Silva

quinta-feira, 15 de março de 2018

Limite

Toda a força se esvai.
Todo o poder se entrega.
E eu que gloriava
Hoje me rendo.

Todo o amor virou pó.
E toda a alegria emudeceu.
E eu que pairava
Hoje não me ergo.

A vida segue o tempo.
E eu que não
A pude alcançar

Desenho, palavras
Que voam no vento
Para nenhum lugar.

Thiago Grijó Silva.

domingo, 30 de julho de 2017

Em pedaços

Espalhados pelo chão 
estão pedaços,
são os restos que sobraram
de um conto;

Que ao som da lira
me cantava a vida.
E eu acreditei,
e continuo na crença

de que espalhados pelo chão
estão em frangalhos!
Esses pedaços 
São meu coração.

São meus sonhos.
Espelhados num futuro
obtuso e esquecido
por quem passa.

E piso em cima das lagrimas.
e cada pedaço 
é minha carne.
cada nota, meu sangue.

Eu perambulo e continuo
pisando nos cacos
cortando meus sonhos
estou em pedaços!

cade o amanhã
que não floresceu.
Esqueci-me da vida
ou foi ela quem me esqueceu?

Eu não como, não durmo
não tenho tempo
e não construo
malditos muros!

Esse torpor é o que me mata
essa doença paralitica
esse retardo no andar
no escuro que me cerca

A luz que me alimenta
e o alvo já sumiu.
minha mente, esta em pedaços
também espalhados

Nesse caminho sem fim
estou perdido,
cade meu leme
qual é o rumo?

E não sei para onde olhar
estou confuso,
cade o mundo?
Os sonhos sempre deviam estar lá...

Mas se quebraram
são esses pedaços
espalhados no chão
Onde eu piso

carregando cada espelho
minha imagem, refletida
na ignorância de quem
ousou sonhar na vida...


Thiago Grijó Silva (30/07/2017)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Teu Público

Ouviram de todos os lados
A versão mal contada de teus lábios
Procurando te entender
Sem compromisso com a verdade
Sem tempo para desculpas
Culpa! Culpa! E Culpa!

Por piedade lhe tomaram
De caricias e cobriram de ilusões
Sua versão da minha historia
E terminamos o filme
Com o aval do teu público
Bravo! Bravo! Bravo!

Eu que sempre estou errado!
Me perdoe pelos outros
Que não falam o que você conta.
Me perdoe as atitudes
Daqueles contra quem tu te levantas.

E já que sou culpado
Me perdoe o verso errado
E tudo que foi apagado.
Me perdoe essa resposta
Covarde como tu...

Não es em teus anseios de medo
Sobre minhas supostas fraquezas
Interpeladas pela doentia mente
De olhos que enxergam em mim,
Mas não a mim,
O mal do qual padece
os mesmos olhos que me enxergam.

Ainda assim, vou te dizer
Em versos, prosas, com gestos
Em todo e em cada manhã
A beleza de um sorriso
Que faz padecer os malefícios
Causados pela rigidez
Do teu olhar doentio.

Eu termino, retificando as mentiras
Sem pretensão de disseminar a verdade
Sem dar nomes ou diretrizes
Braveje, que a verdade não muda.
Eu mudo, para que você pare de julgar.
Você julga, porque não quer enxergar.
E como estou sempre errado
Não paro de me desculpar.


Thiago Grijó Silva

domingo, 9 de agosto de 2015

Décima Segunda Pagina


Entre a incapacidade de usar as palavras
e o medo de perde-las por completo
guardo um pedaço do dia
em que me lembro que havia algo importante.

como se mil vidas tivesse
esqueci-me do que era importante
nas primeiras décadas.
E deixei-me iludir pelo conforto
de um tempo que me toma 
das lembranças a meu ouro
tudo que me foi importante.

Deito no caminho que me guarda
não há coerência em minhas palavras
somente uma confusão de metáforas mal estruturadas
num roteiro que não faz sentido
de um velho filme que ninguém
gostaria de ter visto.

Mas tudo isso faz parte do meu destino
traçado pela vontade de um andarilho

peregrinando pela noite sozinho
na companhia humana da personificação da tristeza
a procura de um anjo sumido
que não pretende regressar.

Os dias vão fluindo, e mais jovem não fico.
nestas terras a alegria esta escassa
e nosso caminho de flores esta desbotado
o ceu manchado e o vermelho da vida
coagulado pelo remorso da culpa
pela ira cometida contra ti.

Tenho a intenção de nos salvar,
mas pretenso, estou, de que me salvo.
Mas salvar-me eu não posso.
Caminho a oração da tua luz
Com milhões de duvidas
tentando crer na certeza de que tudo ficara bem.


Thiago Grijó Silva





quarta-feira, 18 de março de 2015

Julia



Todo aquele sorriso
que corria até meus braços
num desesperado grito
"Tio Thiago!"
Ficou para trás...

Mas todo aquele amor
que discorria em nossos atos
num semblante vivaz
De felicidade!
Permanece...

Em cada abraço apertado
cada palavra trocada
corre em nossas almas
gargalhadas!

Que teu riso, nunca finde!
E que tuas asas desconheçam o chão.
Sempre que quiseres, tens um espaço
guardado no camarim do meu coração.


Thiago Grijó Silva 

Dedicado a minha sobrinha Julia Borges